“Não existe um mundo sem uma mente para imaginá-lo”

A frase que ilustra o cabeçalho deste texto me foi dita por um amigo, o Rafael, com quem tenho tido brilhantes e produtivos diálogos (e que, furtivamente, têm me afastado da internet). Instantaneamente a ideia de escrever pela segunda vez sobre este tema, a individualidade, me veio a cabeça. Mas cheguei a conclusão de que nunca é demais falar sobre alguns assuntos específicos que permeiam nossa cabeça.
É interessante. Milhões de pessoas, milhões de mundos. Milhões de pessoas, milhões de visões diferentes. Cada um enxerga cada situação, cada paisagem de uma maneira, à sua maneira. Eu vejo São Paulo, seus prédios, e vibro com a beleza, com a arquitetura brilhante, há pessoas que saem correndo. Eu no meio do nada, só natureza, só verde, só água, acho que me acometo no suicídio, para outros, é o paraíso na própria terra. Para uns o cachorro é companhia, para outros apenas uma despesa a mais, desnecessária.
Não seria esse o causador de tantas disputas? Tantas guerras? Só por que tenho a minha opinião não significa que ela é a correta. Só por que Victor Hugo disse que ‘sorrir demais é insosso e tosco” não quer dizer que isso é uma premissa de vida, que está correto, que é uma verdade a ser seguida. Pelo contrário, nos dá margens para uma discussão acerca do tema. Não compreendo a necessidade que as pessoas tem de impor a sua opinião, sem saber entrar em um consenso. Não podemos ter uma conversa, uma negociação para chegarmos a um acordo comum, sempre tentamos fazer prevalecer aquilo que NÓS acreditamos ser o certo, nunca queremos saber sequer a opinião dos outros. NÓS, NÓS e nós. Isso que importa.
Para mim minha religião é certa, pra você nem sequer a existência de alguma delas é plausível com a coerência. O certo para mim, o errado para você. E há uma linha destacada e acirrada entre esse individual, entre o meu e o seu, entre a sua e a minha; o respeito. Base para tudo na vida, aliás. Respeito. E seguindo assim não teremos problemas. Mas seria essa a solução de todos os problemas? Tão simples? Recorreria a Carlos Drumond de Andrade e sua explicação para o poema que diz que “havia uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma pedra” quando indagado sobre a possibilidade dessa pedra expressar nossos problemas durante a vida, respondeu, “Não, de fato não. É apenas uma pedra no meio do caminho”. Sim, de fato sim, tão simples assim.
Citações:
Rafael Tadeu
Carlos Drumond de Andrade
Victor Hugo
Por César Augusto Alves Paulo
16 de março de 2009
